Brigitte Helm, A Deusa Eterna De Yoshiwara!!!

Brigitte Helm, A Deusa Eterna De Yoshiwara!!!
Brigitte Helm, A Deusa Eterna De Yoshiwara!!!

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Resenha de Filme - Neve Negra

Cartaz do filme
Ricardo Darín apareceu novamente no cinema argentino. Entretanto, a gente acaba lamentando aqui a sua pouca presença em sua nova película, mesmo que seu nome puxe os créditos. Uma pena, pois “Neve Negra” se revela um bom filme de drama psicológico, com uma pitada de suspense, embora o filme tenha sido vendido da forma completamente oposta.
Vemos aqui a história de Salvador (interpretado por Darín), um homem que vive recluso nas gélidas florestas da Patagônia. Ele vive de sua caça, pois está a quilômetros e quilômetros de distância de qualquer coisa civilizada. Salvador tem um irmão, Marcos (interpretado por Leonardo Sbaraglia), que vem a sua cabana com a esposa Laura (interpretada por Laia Costa). O assunto que levam os dois à casa de Salvador é a venda da propriedade da família e a consequente retirada de Salvador do terreno. Mas isso não é o único motivo de conflito entre os irmãos. O irmão caçula havia sido morto no passado por um tiro numa saída para a caça e a culpa de tudo ficou atribuída a Salvador, o que teria sido um “acidente”. Mas essa história estava muito mal contada e, aos poucos vamos descobrindo que a verdade é muito diferente do que foi mostrado no início da película.
Salvador, um verdadeiro eremita
Como a história é demasiadamente cativante, vou parar aqui com os “spoilers”. Além do roteiro bem escrito, a gente também pode mencionar uma primorosa montagem, pois a tensão do tempo presente no filme precisa ser alimentada por uma sucessão de “flash-backs” que devem entrar nos momentos certos, numa constante interação entre presente e passado. Isso tem que ser feito de forma bem engenhosa para não criar confusão na mente do espectador, assim como a narrativa não pode ficar mais concentrada no presente ou no passado, precisando ficar bem distribuída, como aconteceu no filme. Outra virtude da película foi o clima altamente soturno que permeia toda a história, que foi vendida mais como um filme de suspense. A fotografia e a música da película sufocam o espectador com essa impressão de suspense e o clima pesado não arreda o pé da história um instante sequer. Mas creio que a principal característica do filme é a do drama psicológico, pois o passado dos irmãos foi manchado por violentos traumas, onde o isolamento dos filhos feito por um pai opressor provoca uma sucessão de pequenas tragédias que culminam na morte do filho caçula.
Marcos terá que convencer o irmão a sair da propriedade da família
Com relação aos personagens, essa é uma história mais centrada no casal Marcos e Laura. Salvador fica numa posição mais periférica e sua natureza rude e introspectiva causava uma má impressão inicial em seu personagem. Sua pouca participação no filme foi outro problema, pois não deu voz ao personagem ao longo da trama e tempo para desenvolver sua história, o que é um desperdício em se tratando de Darín e de um filme onde ele encabeça o elenco nos créditos. Ficou uma má impressão de que o ator ficou muito mal aproveitado.
Uma coisa que ficou um pouco complicada foi o desfecho, onde apareceu uma situação meio “Mandrake”, ou seja, mesmo que o cinema possa lançar mão de toda uma licença poética, a solução de todo mistério e de todo o passado nebuloso veio de forma extremamente fácil, já ao apagar das luzes da história. Teria sido muito mais saboroso se esse mistério tivesse sido desvelado aos poucos (e até o foi), mas sem um desfecho tão abrupto e pouco plausível. De qualquer forma, a história de “Neve Negra” ainda pode ser considerada muito boa e com notáveis reviravoltas.
Laura. Participação importante na trama
Assim, vale muito a pena ver Darín novamente atuando, embora tenha sido muito pouco para quem é fã de verdade desse grande ator argentino. Que bom que, pelo menos as atuações de Leonardo Sbaraglia e Laia Costa também tenham sido boas, já que o filme foi mais centrado nesses atores. Apesar de algumas situações inusitadas, “Neve Negra” é um bom filme de drama psicológico, regado a um clima soturno de suspense. Vale muito a pena dar uma conferida quando sair nas locadoras.

domingo, 23 de julho de 2017

Resenha de Filme - Clone Wars



Cartaz do Filme. Excelente animação

“Há muito tempo, em uma galáxia muito, muito distante”. Todo mundo conhece o prólogo de “Guerra nas Estrelas”. A saga criada por George Lucas, que começou no longínquo “Uma Nova Esperança”, lá em 1977, expandiu seu Universo de uma tal forma que passou por um processo de amadurecimento ao longo do tempo. Os fãs da trilogia original até torceram o nariz para esse amadurecimento (leia-se a trilogia Prequel). Mas sem dúvida a coisa se enriqueceu e se variou bastante. Se na trilogia original houve um tom mais lúdico de fantasia espacial, a trilogia Prequel buscou dar um conteúdo maior de trama política, com uma história mais densa dividindo o espaço com as empolgantes cenas de ação de sempre.

Anakin e Obi Wan terão uma difícil missão pela frente

O espaço entre as trilogias e os episódios das trilogias também passou a ser ocupado por novas histórias em várias mídias. Videogames, quadrinhos, livros, animações. Uma dessas tentativas foi o longa de animação “Clone Wars”, que se passa entre os episódios II e III da trilogia Prequel. Temos aqui uma história de muito boa qualidade, que nada fica a dever aos filmes das duas trilogias. O ambiente da animação está nas famosas Guerras Clônicas e há toda uma disputa estratégica entre o Conde Dooku (faça-me o favor de tirar o nome Dookan daqui para bem longe; devemos respeitar o original, mesmo que em português soe ridículo) e as forças da República. Jabba, o Hutt, controla todo o tráfego da Orla Exterior e é imperativo que se tenha o livre acesso a esse tráfego para se poder ter vantagem na guerra. Só que o filhinho de Jabba, um bebezinho Hutt (que fofinho!) foi sequestrado por Dooku. Obi Wan Kenobi e Anakin Skywalker, que estão na linha de frente da guerra, são chamados para salvar o pimpolho Hutt. Mas Dooku fará de tudo para culpar os dois jedis pelo sequestro. Assim, Kenobi e Anakin terão a dura missão de salvar o Huttzinho enquanto participam de uma violenta e sangrenta guerra contra o exército droide de Dooku.

Conde Dooku: mais conspirador que nunca

Essa animação traz alguns elementos interessantes. Em primeiro lugar, priorizou-se bastante as cenas de ação em detrimento das tramas políticas, que ficaram muito mais simplificadas. Já foi dito aqui que a trilogia Prequel foi muito criticada pela densidade política da história, colocando as cenas de ação da fantasia espacial mais em segundo plano. Parece que buscou-se dar mais um ar de trilogia original e seu espírito de aventura à animação, ambientada na trilogia Prequel. E o resultado foi muito bom. Até as costumeiras piadinhas ao longo dos filmes da trilogia original apareceram. Em segundo lugar, a introdução de novos personagens. O Conde Dooku tem ao seu lado Asajj Ventress, uma assassina que lembra um Darth Maul de saias, fazendo bons duelos com Anakin e Obi Wan. Mas a mais interessante personagem é Ahsoka Tano, uma twi’lek que é padawan e foi designada para ser aprendiz de Anakin. A mocinha é convencida e atrevida, onde sua forte personalidade baterá de frente com o gênio forte de Anakin, embora os dois também tenham alguns momentos mais ternos. De qualquer forma, foi divertido ver Ahsoka Tano zoando com a cara do sisudo Anakin.

Ahsoka e o huttzinho…

Assim, “Clone Wars” foi uma boa investida da Lucasfilm, pois conseguiu dar um sabor de aventura e fantasia espacial à trilogia Prequel e, ao mesmo tempo, apresentou novos personagens que interagiram bem com personagens já conhecidos, sobretudo a padawan Ahsoka Tano. Se você ainda não viu (como eu não tinha visto), vale a pena conhecer. E se você já viu, sempre é bom dar uma revisitada, já que “recordar é viver…”.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Resenha de Filme - A Bela e a Fera

Batata Movies – A Bela E A Fera. Encontro de Outsiders.

Cartaz do Filme
E a Disney lançou a sua versão action movie de “A Bela e a Fera”, estrelando Emma Watson no papel da mocinha. Esse é um filme que já vinha cercado de uma certa expectativa, pois todo mundo já conhecia a animação lá da década de 90. E aí, ficou a pergunta: o que esse filme traria de novo?
Releitura de um velho clássico
Bom, em primeiríssimo lugar, o elenco. Além de Emma Watson, tivemos uma boa participação de Kevin Kline, como Maurice, o pai de Bela. É muito legal ver um ator que tanto apareceu lá na década de 80 ainda dando caldo. Mas o filme teve outras gratas surpresas. Luke Evans, que fez um dos mais novos “Dráculas”, fez um bom vilão no papel de Gaston. Vários atores consagrados participaram do filme, mas eles fizeram papéis dos objetos do castelo. Assim, só pudemos ver ao final da película os semblantes de atores como Ewan McGregor, Ian McKellen, Emma Thompson, etc. Um destaque todo especial deve ser dado ao ator Josh Gad, que fez o papel de LeFou, o fiel escudeiro de Gaston, e que despertou muita polêmica entre mentes mais conservadoras por aqui por se insinuar de forma homossexual no filme. Querelas à parte, ele foi muito bem em seu papel e chamou muito a atenção, mais por seu talento do que por toda a polêmica envolvida. Só é de se lamentar que o papel de Fera tenha ficado com um ator pouco conhecido, Dan Stevens, onde o CGI teve mais presença que o ator em si. Já a atuação de Emma Watson foi segura, mas talvez um tanto plana. Seus momentos mais dramáticos não convenciam muito. Talvez seu perfil não se encaixasse tanto no papel, o que foi uma pena, pois essa é uma excelente atriz, mas a coisa não deu a química esperada.
Correndo contra um encanto e contra o tempo…
Um detalhe interessante que a história nos mostra é a questão do outsider. Tanto a Bela quanto a Fera são figuras deslocadas do meio em que vivem. A Fera é o príncipe que sofreu um encanto por ser uma pessoa má e foi esquecido por todos, sendo condenado ao ostracismo enquanto seu encanto não fosse quebrado. Já a Bela era a moça deslocada de sua comunidade, pois tinha o estranho hábito de ler, o que provocava falatórios das pessoas com relação às suas atitudes. Ainda, ela era muito malvista por ensinar crianças a ler (!). Algo típico de uma sociedade de Antigo Regime, onde a posição da mulher era vista de forma ainda mais periférica do que hoje e mulheres que se comportavam diferentes daquelas que eram preparadas para casar ficavam à margem da sociedade. Assim, o encontro da Bela e da Fera no castelo fez com que os dois se identificassem em seus deslocamentos perante os outros. Isso, obviamente, depois de quebrado o gelo inicial.
Fera. Mais expressividade no CGI
O filme é também mais um delicioso musical, um gênero que tem voltado às telonas ultimamente e da melhor forma possível, ou seja não uma “cópia e cola” dos musicais da Broadway para o cinema. Já vimos esse grato retorno dos musicais com “La La Land”. E fazer o mesmo para uma história adaptada pela Disney deu um bom resultado, pois os números estavam muito bem coreografados e mais uma vez ficamos com aquele gostinho dos antigos musicais americanos, que é o que o cinema de Hollywood consegue fazer de melhor. O gênero musical é uma invenção genuinamente americana e suprassumo do cinema dos Estados Unidos.
Assim, “A Bela e A Fera” correspondeu às expectativas de ser mais um bom lançamento da Disney, que nunca brincou em serviço. Uma história com um excelente elenco, um bom musical, um encontro de outsiders. A se lamentar somente um ator desconhecido para o papel de Fera e a interpretação inesperada de Emma Watson, um tanto fria para o papel (inglesa demais?). Mas nada disso prejudica o filme em si. Vale a pena dar uma conferida.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Resenha de Filme - Takeshis'

Takeshis’. Qual É O Kitano De Sua Preferência?
No mês de janeiro, a Caixa Cultural comemora os 70 anos do cineasta japonês Takeshi Kitano (completados no dia 18), com uma mostra dedicada a essa grande figura do Cinema Mundial. O cinema de Kitano tem um estilo único, com uma violência explícita, assim como o sexo, passando por um humor negro tragicômico regado a muito surrealismo e non sense. Os filmes de Kitano realmente mexem com a gente e não ficamos indiferentes a ele.
Um dos filmes exibidos na mostra foi “Takeshis’”, realizado em 2005. Essa película mostra, de uma certa forma, os dois lados do diretor. De um lado, Takeshi, o artista consagrado, verdadeira instituição cultural nacional. De outro, o senhor Kitano, um homem simples e inseguro que continuamente faz testes de figurante para o cinema e não é aceito, sendo motivo de chacota para os vizinhos. Sendo humilhado por tudo e por todos, e tendo a oportunidade de possuir muitas armas em sua mão, depois que um mafioso da Yakuza morre escondido e baleado no banheiro da loja em que trabalha, o senhor Kitano vai pirar na batatinha e sair passando fogo em todos que tripudiaram dele. A partir daí, o filme se torna uma torrente de surrealismo e de non sense que somente um ambiente onírico pode dar uma explicação plausível.
Definitivamente, o filme se torna mais interessante depois da revolta do senhor Kitano, e o mar de surrealismo tem pitadas de erótico e doses relativamente generosas de humor negro, onde a violência é o maior elemento motivador. Kitano sabe brincar com a violência de uma forma soberba, colocando-a nas situações mais inusitadas. A impressão é a de que presenciamos uma enorme ópera do absurdo ao longo de sua revolta, onde nada faz sentido. Pessoas mortas por rajadas de balas reaparecem todas arrebentadas pelos tiros para somente morrer de novo nas mesmas condições. Policiais fortemente armados atacam o senhor Kitano junto com samurais. DJs tocam suas carrapetas e seios femininos em meio a festas dançantes sob tiroteio intenso.  E por aí vai a sucessão de surrealismo. Apesar de tudo isso ficar um pouco maçante numa certa altura, uma coisa é certa: sempre algum elemento novo vai aparecer, mesmo que ele não tenha pé ou cabeça, como realmente não vai ter.

Assim, se você quer ter uma experiência cinematográfica um pouco diferente, eu aconselho muito dar uma chegadinha ao Caixa Cultural no Centro e assistir a alguns filmes da Mostra de Takeshi Kitano. Uma coisa é certa: você não vai ficar indiferente, pois o homem sabe fazer um cinema agressivo. E não deixe de ver o trailer depois das fotos.

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Cartaz do Filme

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Um artista consagrado

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Um figurante feito de palhaço

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Tentando de tudo para ganhar a vida

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Sofre deboche dos vizinhos

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Mas uma hora ele surta!!!

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Violência cimenta filme





TAKESHIS' TRAILER

domingo, 15 de janeiro de 2017

Resenha de Filme - Geragalu

Geragalu. Modéstia Como Virtude.

Ainda dentro da mostra “Novo Cinema Indiano”, realizada no mês de janeiro no CCBB, tivemos a película “Geragalu”, realizada no sul da Índia (Karnataka) em 2015 e dirigida por Nikhil Manjoo. O filme é, acima de tudo, um libelo pela modéstia. Vemos aqui a história de um artista muito conceituado, Gaffur Kahn, que recebeu muitos prêmios por desenvolver a manifestação cultural Yakshagana. Tanta bajulação fez com que o sucesso lhe subisse à cabeça e ele se tornasse uma pessoa simplesmente intratável, que só pensa em seus êxitos e nas pessoas como suas servas. Isso faz com que a vida do artista e todos os que estão à sua volta se torne um verdadeiro inferno. Mas toda a empáfia de Gaffur Kahn vai desaparecer quando seu netinho resolve visitá-lo e, ao começar o ritual de orações para fazer o Yakshagana, ele pronuncia uma palavra errada na frente do neto, sendo prontamente corrigido por este. Enfurecido, Kahn dá uma surra no garoto e vai procurar seu antigo mestre, por quem tem verdadeira adoração e devoção, e o professor caba lhe dizendo que o neto está certo. Ante à reação revoltada de Kahn, o mestre lhe chama a atenção dizendo que ele não pode deixar de ser humilde. O artista, então, destrói todos os seus amados prêmios e se matricula numa escola para alfabetização de adultos, colocando sua soberba de lado e buscando um caminho mais humilde. Essa película já mostra um outro estrato cultural e étnico bem diferente de “O Navio de Teseu”. Enquanto que este primeiro filme era feito numa região mais urbanizada e ocidentalizada, “Geragalu” tem uma forte cultura local enraizada, seja nas práticas culturais, seja nos hábitos cotidianos. A impressão que nos dá quando vemos os dois filmes é a de que presenciamos dois países diferentes, o que espelha bem o espírito da mostra “Novo Cinema Indiano”, que é mostrar toda a diversidade cultural da Índia em películas autorais, longe dos blockbusters de Bollywood.

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Um ator muito convencido

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O diretor Nikhil Manjoo

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Resenha de Filme - Navio de Teseu

Navio de Teseu. Histórias Aos Pedaços.
No mês de janeiro, o CCBB realizou uma mostra de produções recentes do cinema indiano. Buscando fugir um pouco do estereótipo de Bollywood, a mostra intitulada “Novo Cinema Indiano” buscou filmes mais autorais dos vários estados que compõem a Índia. Um dos filmes exibidos na mostra foi “Navio de Teseu”, produzido em 2013 e dirigido por Anand Gandhi. O filme começa com a seguinte questão: se as partes de um navio são trocadas, ele permanece o mesmo? A partir disso, o filme conta três histórias onde seus protagonistas sofreram transplantes. Na primeira história, uma fotógrafa sofreu uma inflamação da córnea e ficou cega. Ela continua a exercer seu ofício com a ajuda do marido. Um transplante de córnea vai ajudá-la a recuperar sua visão. E aí, ao invés de a volta da visão ajudar, a moça fica perdida perante tantas opções de fotografias que ela podia fazer a partir da visão recuperada. A segunda história é a de um monge que luta contra os laboratórios que fazem experiências com os animais para produzir cosméticos e remédios. Mas o monge sofre de cirrose hepática e precisa fazer um transplante. Entretanto, em virtude de seus princípios, ele se recusa a tomar as medicações prescritas pelo médico e vai lentamente definhando. Até que é convencido por um amigo a fazer o transplante e tomar as medicações. A terceira história é a de um corretor da bolsa que faz um transplante de rim. Mas ele suspeita de que o órgão que foi colocado em seu corpo foi roubado de outra pessoa. Mesmo sabendo depois que o órgão transplantado para o seu corpo não era roubado, ele foi atrás do paciente que teve o rim roubado transplantado e tenta reparar essa injustiça.
Três histórias sobre transplantes, onde as pessoas que receberam os órgãos, tal como o navio que recebeu outras partes, não ficaram mais as mesmas. A moça, excelente fotógrafa quando cega, ficou relutante com seu trabalho quando recuperou a visão. O monge doente, que para sobreviver, teve que questionar suas convicções e filosofias. E o inescrupuloso corretor da bolsa que ficou altamente solidário ao ver uma pessoa de camada social muito baixa ter um órgão roubado numa operação de apendicite, sendo que esse órgão foi transplantado num cidadão sueco, ou seja, de um país de Primeiro Mundo. Uma curiosa forma de perceber como as pessoas podem sofrer mudanças ao longo das situações que a vida lhes impõe.

Esse é um filme muito premiado e foi feito na região de Mumbai. Uma interessante película da mostra do novo cinema indiano no CCBB. Não deixe de var o trailer abaixo.
Quer mais cultura? Não deixe de visitar a Batata Espacial!!!! www.batataespacial.com.br

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Cartaz do Filme

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Uma fotógrafa que se perde com a própria visão

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Um monge que, para viver, tem que ir contra sua filosofia

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Amigos em busca do rim perdido.

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Belo cartaz promocional do filme



Ship of Theseus Official Trailer (Australia Release)

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Resenha de Filme - Invasão Zumbi

Cartaz do Filme
Uma interessante produção da Coreia do Sul em nossas telonas. “Invasão Zumbi” (“Train to Busan”), escrito e dirigido por Sang-ho Yeon, é um filme de terror que, a princípio pode imitar o já batidíssimo gênero de terror com o subtema dos zumbis. Mas o filme vai além e ele revela na verdade alguns aspectos da condição humana.
Woo. Viagem insólita
O filme tem como protagonista Seok Woo (interpretado por Yoo Gong), um homem ligado ao mercado financeiro, de pensamento individualista e sem escrúpulos. Ele tem uma filhinha, Soo-an (interpretada por Soo-an Kim), que quer a atenção do pai e, ao mesmo tempo, quer fazer uma viagem de trem para rever a mãe. Depois de muito insistir, Soo-an consegue fazer o pai levá-la para a tal viagem. Mas essa viagem terminaria numa jornada de horror onde zumbis querem atacar as pessoas e infectá-las com sua doença.
Zumbis irados!!!
Até aí, nada de muito diferente. Então, o que diferencia esse filme dos demais filmes de zumbi? Em primeiro lugar, é um filme que aborda sérias questões sociais. Nosso protagonista é frio, calculista e pensa em si próprio. Mas a situação de ser perseguido por um monte de mortos-vivos vai fazer com que Woo comece a ver as coisas de outra maneira. Outros passageiros do trem vão manter essa visão individualista e irão até agir com preconceito contra outras pessoas que, acredita-se, estejam contaminadas. Ou seja, o filme levanta essa questão: numa situação de terror e pressão extremos, até onde vai a solidariedade humana? Essa é a grande questão da película. Outro tema trabalhado é o do tempo perdido. Woo nunca deu muita bola para a filha. E agora, parece que tudo vai cair por terra e ele não terá mais nenhum momento com ela. Fugir dos zumbis também será uma forma de recuperar um pouco do tempo perdido.
Interpretação convincente!!!!
É interessante perceber como parece que o filme bebeu de outras fontes. Apesar do gênero terror, a película também lembra filmes catástrofe americanos da década de 70, sobretudo a série “Aeroporto”, onde passageiros e tripulantes de aviões precisavam superar acidentes aéreos. Os filmes dessa época sempre tinham irmãs de caridade ou soldados entre os passageiros. Agora, a gente via um time de beisebol de uma escola de ensino médio. E, ao invés do avião, o filme se passava num trem que, a cada estação, uma surpresa estava por vir, fora os zumbis que já povoavam os vagões. Um terror recheado de suspense ao melhor estilão do cinema americano.
Porrada nos zumbis!!!
Um destaque especial deve ser dado aos nossos zumbis. A forma esquálida, rápida e poligonal de seus movimentos chamou muito a atenção e em alguns momentos, despertou muitos risos (como um bom filme de terror deve fazer, diga-se de passagem). Tal coreografia aliada ao uso de lentes de contato de cor leitosa produziram um efeito muito interessante e os mortos-vivos ficaram bem convincentes. Se eles foram cômicos, não foram menos assustadores.
Assim, “Invasão Zumbi” é um filme que vale a pena ser assistido. Mesmo que o leitor não goste do gênero de terror (como eu não gosto), esse filme tem um algo a mais que se distancia dos filmes de terror americanos convencionais. As discussões de caráter social são um fator que chama muito a atenção. A forma como os coreanos conceberam os zumbis também é muito interessante. E o filme ainda se aproxima um pouco do gênero de cinema catástrofe, ao contextualizar tudo numa viagem de trem. Vale muito como curiosidade. E não deixem de ver o trailer abaixo.
Você pode ler esse artigo e muito mais em www.batataespacial.com.br

Invasão Zumbi - Trailer Legendado

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Resenha de Filme - BR 716 - Uma Comédia de Tempos que se repetem

Domingos de Oliveira está de volta com sua nova película “BR 716”. O filme traz velhos elementos já vistos em outros filmes do diretor. Mas também traz algo de novo. O que mais importa é que foi um bom filme dessa vez, pois Oliveira consegue emplacar boas histórias contadas alternadas com algumas nem tão cativantes.
Felipe, o alter ego do diretor
Vemos aqui a história de Felipe (interpretado por Caio Blat), uma espécie de “bon vivant” que tem um gigantesco apartamento na rua Barata Ribeiro, 716 (daí o título do filme), que foi herdado do seu pai (interpretado por Daniel Dantas), um homem falido, mas com seu nome limpo na praça. O problema é que Felipe dá festas homéricas em seu suntuoso apartamento, regadas a muito álcool e porralouquices. Felipe, inclusive, tem o sonho de ser roteirista, mas sua natureza, que é emocionalmente instável (um verdadeiro alter ego de Oliveira), faz com que ele tenha sempre obstáculos para concluir seu projeto. Ao perder a namorada para o melhor amigo, o homem cai em depressão e só consegue se esquecer um pouco dela com as tradicionais noitadas em seu apartamento, que aumentam cada vez mais a conta pendurada no bar da rua do seu prédio. Mas a trama não gira somente em torno do protagonista. Os muitos frequentadores das festas do apartamento também são personagens inusitados, divertidos e tragicômicos. Temos o caso da psicóloga e sua paciente que têm um relacionamento homossexual altamente violento (por parte da paciente), uma ninfeta (maravilhosamente interpretada por Sophie Charlotte), que quer ser cantora ou atriz, e sabe lançar mão de sua beleza para conseguir o que quer, ou o escritor e jornalista que joga cantadas altamente inconvenientes para as mulheres da festa (muito bem interpretado por Pedro Cardoso, embora sua presença tenha sido pequena na tela). Personagens um tanto loucos em festanças insanas. Mas toda a farra terminaria de forma um tanto melancólica, onde a chegada da ditadura militar seria o anticlímax para o clima de euforia.
Sophie Charlotte, imponente
Qual seria o elemento antigo do filme, muito presente em outras películas de Oliveira? A tremenda cara de comédia de costumes dos filmes do diretor, retratando a vida de uma elite de Zona Sul, que pode se dar ao luxo de ter crises existenciais e produtivas. Devo confessar que incomoda um pouco o fato do bairro de Santa Cruz ser tratado como outra galáxia no filme. Tudo bem que ele seja muito longe da Zona Sul e a mobilidade entre essas duas partes da cidade na década de 60 fosse muito pior que hoje, mas o filme abordou essa questão com uma relativa segregação social, principalmente em algumas piadas sob a ótica de quem vive na Zona Sul. Por outro lado, o filme trouxe algo novo que foi a força de vários personagens carismáticos. Embora as outras películas de Oliveira tenham vários personagens interessantes, dessa vez a coisa foi diferente, pois o clima altamente festivo e explosivo fez com que cada personagem tivesse uma diversidade toda própria, sempre trazendo um elemento novo, regado com muito carisma. Não foi um filme de um protagonista com coadjuvantes. Todos eram protagonistas, pois eram personagens muito intensos, tal como a grande festa que era o BR 716 fosse o real personagem coletivo, formado pelas individualidades dos demais personagens. Claro que o personagem de Blat era o mais importante, mas o filme não girava totalmente em torno dele e isso tornou a película muito atraente.
Felipe, numa de suas muitas crises
Outro fator que chama a atenção é a situação de instabilidade política que tomou conta do filme com a proximidade do golpe militar de 1964, que é um tanto semelhante com a situação de instabilidade política de hoje, aliada a uma gama altamente autoritária que está no ar. As festas no BR 716 eram uma espécie de ilha de bom senso, paradoxalmente formada por festeiros bêbados, em meio ao clima de autoritarismo existente. O apartamento, inclusive, passou a ser visto como uma bolha protetora contra os dias do golpe militar e ninguém arredou o pé de lá por dias, com medo dos tempos sombrios que viriam. Tal situação de insegurança e medo com relação ao futuro está bem viva também nos dias de hoje.
Oliveira e Charlotte
Dessa forma, “BR 716” foi um bom filme de Domingos de Oliveira que, se de um lado ele se repetiu em sua comédia de costumes, por outro lado ele mostrou uma gama de personagens todos interessantes, onde não havia propriamente a figura do coadjuvante. Para que isso funcione, o diretor contou com um bom elenco de atores que cumpriram muito bem os seus papéis. Vale a pena dar uma conferida neste filme.
Você pode ver esse texto e muitos outros sobre cultura em www.batataespacial.com.br

BR 716 com Caio Blat, Sophie Charlotte | Trailer Oficial [HD]

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Não deixe de ver na Batata Espacial

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- Resenha dos filmes "A Chegada" e "Sully"
- Recorde Jiraiya, o Incrível Ninja!!!
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sábado, 19 de novembro de 2016

13 MINUTES - UK Trailer

Resenha de Filme - 13 Minutos

Treze Minutos. Por um Triz.
Um excelente filme alemão em nossas telonas. “Treze Minutos” é mais uma das intermináveis películas que abordam a questão da Segunda Guerra Mundial e do Nazismo. Desta vez, vai se falar de um atentado. Um atentado real, ocorrido em 1939, ano de início da guerra. E não é um atentado qualquer. É um atentado contra a vida do próprio Adolf Hitler, planejado por apenas um homem. E um atentado que quase obteve sucesso.
Vemos aqui a história de Georg Elser (interpretado por Christian Friedel), um músico que tem uma vida pacata e mulherenga. Mas tudo isso terminaria com a progressiva ascensão dos nazistas ao poder, com uma escalada de ódio e violência. E aí, todo o mundo prosaico, idílico e tranquilo de Georg cai por água abaixo. Ele tem amigos comunistas que o incitam a ir para a luta armada, mas Georg acha que a violência não resolve nada. Até que ele vê um de seus amigos ser preso e ir para um campo de concentração. Ainda, ele fica extremamente preocupado com a situação da Alemanha no contexto internacional, ao perceber a “blitzkrieg” (guerra relâmpago) de Hitler e as declarações de guerra contra seu país, o que destruiria a Alemanha. Assim, ele resolveu cortar ele mesmo o mal pela raiz e tramou um plano para assassinar Hitler com um atentado, onde explosivos seriam usados. Mas...
O filme é altamente instigante e prende a atenção do espectador do primeiro ao último segundo. Uma película alemã falando de um tema altamente espinhoso para os alemães, onde o tendenciosismo pode ser algo problemático. Se o nazismo é apresentado de uma forma branda, pode-se acusar os produtores de complacência. Se o nazismo, por sua vez, é apresentado de forma extremamente violenta, pode-se acusar os produtores de sentimento de culpa e de se carregar muito nas tintas por isso. Mas podemos dizer que essa é uma história em duas camadas. A primeira se remete ao atentado em si, à prisão de Georg e a longa sessão de interrogatórios e torturas que ele sofre por parte dos nazistas, que não acreditam em sua versão de que ele orquestrou todo o atentado sozinho. E a segunda camada é um “flash back” onde Georg se lembra de sua vida pregressa, lá no ano de 1932, quando tudo era calmo e tranquilo, até que os nazistas começaram a se fazer cada vez mais presentes em sua pequena cidadezinha. Se num primeiro momento, a impressão que se dá é a de que os interrogatórios e torturas são a coisa mais pesada da película, essa ideia se desvanece por completo quando vemos a segunda camada do filme, onde é muito mais assustador ver como o nazismo chega aos poucos, sem despertar alertas mais profundos, e paulatinamente vai envenenando corações e mentes de pessoas de bem, mostrando o verdadeiro perigo dessas ideologias autoritárias. E o pior de tudo: como essa chegada progressiva destrói vidas privadas, como pudemos ver no relacionamento de Georg e Elsa (interpretada por Katharina Schüttler), uma mulher casada que não aguenta mais as inconveniências e agressões do marido beberrão. A ligação do marido com os nazistas e a de Georg com os comunistas somente torna esse conflito ainda mais explosivo e perigoso.  

Assim, “Treze Minutos” é mais um daqueles filmes sobre temas já exaustivamente discutidos, refletidos e apresentados no cinema, que são o nazismo e a Segunda Guerra Mundial, mas que nunca esgotam o interesse. E, desta vez, tivemos vários motivos para ficarmos interessados. Em primeiro lugar, um filme sobre o nazismo feito por alemães, um tema sempre delicado para ser falado pelo próprio povo que o cometeu. Em segundo lugar, é mais uma história real que chega às telonas, sobre uma pessoa comum que pratica sozinha um atentado contra um ditador ainda ao início da guerra, quando o führer ainda era visto como uma figura divina pela maioria da população. E, em terceiro lugar, e talvez o mais importante, mostra como essas ideologias autoritárias são perigosas e envenenam progressivamente as cabeças das pessoas de bem. Um filme para se ver, ter e guardar.

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Cartaz do Filme

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Georg Elser, um músico que tem sua vida transformada pelo nazismo

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Dias duros na prisão

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Violentas torturas